Brasília, 02 de junho de 2016
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Faço uma análise pessoal sobre a fusão de dois ministérios – Ciência, Tecnologia e Inovação e, Comunicação – assunto que ainda não observei colegas a favor, apenas contra, ou seja, se hay gobierno....
Não vejo nesse governo Temer uma plataforma salvadora da crise econômica, política e ética que vivemos. Esse governo tampão somente parou de surrar o doente moribundo e vai deixá-lo se recuperar por si, pois o país é muito maior que qualquer governo, e rezo para que não que não mude de ideia e, volte a surrar o doente como aumentar a carga tributária. Os políticos brasileiros, em sua grande maioria (sempre é difícil e inconsequente generalizar, me perdoem) tem o “rabo preso” em virtude de um sistema eleitoral e partidário que carece de uma profunda mudança. Esse governo tampão serve a um único propósito - o próximo governo - e a corrida presidencial já se iniciou, todos sonhando em ser o próximo Fernando Henrique, que foi ministro do Itamar no governo tampão após o impeachment do Collor. Observem o Serra, o Meirelles e o próprio Kassab....todos têm esperança na próxima eleição. Esse governo e seus políticos querem preparar o terreno para a próxima eleição e isso significa estar na mídia com uma agenda positiva, parecer que é um bom gestor, sem fazer mudanças realmente profundas que alterem o status quo. Sim, não se enganem, a recuperação econômica será lenta e gradual, pois cirurgias profundas (e necessárias) podem agravar a saúde do moribundo e ninguém quer ser o médico culpado pela morte do paciente.
Muitos concordam comigo que não é possível mais uma Esplanada com trinta e tantos ministérios, fruto dessa miscelânea de partidos capitaneada por seus “donos” que se beneficiam do status quo vigente. Aliás, o próprio Kassab é o “dono” de uma dessas dezenas de siglas. Com certeza a sociedade brasileira não possui tantas posições políticas diferentes. Uma mudança partidária séria reduziria essas dezenas para cerca de 4 a 5 partidos.
Sempre digo que quem pensou Brasília era muito sábio, pois construiu um número limitado (19) de ministérios onde todos os prédios são iguais (carreiras iguais), sendo apenas dois ministérios diferentes – Justiça e Relações Exteriores, por razões óbvias. Assim um downsizing na Esplanada é salutar com uma diminuição dos custos da manutenção da máquina estatal, isso significa menos ministérios e menos cargos comissionados, os famosos DAS. Um serviço público mais eficiente e eficaz é possível (acredite!), por meio de uma boa gestão focada na qualidade com o foco em resultados e com uma estrutura matricial de gestão de projetos. Não precisamos acertar sempre, mas ao detectarmos o erro, corrige-se e volta-se rapidamente a focar nas metas planejadas e nos resultados.
Dizem que a atuação do MCTI é baseada pelo mérito científico e tecnológico e que o MC exerce funções como a concessão de canais de radiodifusão e fiscalização das operadoras de telefonia, que envolvem mais relações políticas e práticas de gestão distintas. Perderíamos o protagonismo e a importância, sendo até “engolidos” pela agenda do MC. Na época do conhecimento e da inovação, onde outros países investem pesado, nos encontramos na contramão reduzindo os investimentos em CT&I. E isso já é um fato, já está ocorrendo há algum tempo e não temos mais o protagonismo anterior, sendo prova disto a frequente troca de ministros, que se apresentam sem propostas, sem competência e sem força política para resgatar o orçamento e os investimentos do início da década.
Pasmem, mas não sou contra a união do MCTI com o MC. Necessitamos sim resgatar o investimento necessário em CT&I, pois esse é o motor de saída da crise e que vai nos guiar a ocupar um lugar de destaque entre as nações do “novo desenvolvimento”. Precisamos de ideias e propostas arrojadas que venham a reindustrializar o país e que nos coloquem no desenvolvimento de tecnologias disruptivas que estejam na borda do conhecimento humano. Assim, é imperativo uma agenda arrojada que pense ações de Estado e não de governo, ou seja, de curto, médio e longo prazo (até de 30 anos).
A força motriz desse protagonismo, pasmem, somos nós, as pessoas que trabalham (e que tem competência - conhecimento, habilidades e atitudes) com CT&I, pois podemos comprar tecnologia, podemos possuir os equipamentos e softwares mais sofisticados, mas a diferença no final são as pessoas, nossos recursos humanos, nosso humanware. Não restrinjo aqui o termo humanware apenas aos servidores de CT&I, mas aos pesquisadores, aos especialistas, aos industriais e a todos que fazem ciência, tecnologia e promovem a inovação.
Aqui destaco a importância dos secretários e diretores, que necessitam fazer o impossível pois o possível já fazemos. Secretários e diretores arrojados com voz ativa e que se movimentem com desenvoltura pelo meio político, acadêmico e industrial são uma das chaves do sucesso, mas esses sem uma equipe motivada e atrelada na perseguição de objetivos claros não irão fazer a diferença que todos desejam. Meu recado a eles é: sejam benvindos e LIDEREM! Liderança é a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores e influenciando de forma positiva mentalidades e comportamentos.
Equilíbrio e equidade são essenciais na discussão da nova estrutura organizacional e para o sucesso dos Secretários e Diretores, pois sempre que a balança pende para um lado, descompensa o outro lado e todos nós perdemos. Temos já um secretário forte e precisamos de um equilíbrio para fortalecermos o novo marco legal e o Sistema Nacional de Inovação. Aqui necessitamos de Sinergia que significa cooperação, e é um termo de origem grega (synergía). Sinergia é um trabalho ou esforço para realizar uma determinada tarefa muito complexa, e poder atingir seu êxito no final. Sinergia é o momento em que o todo é maior que a soma das partes.
Tenho certeza que se entregarmos os resultados prometidos e promovermos uma agenda destacada ao Ministro (que pensa na próxima eleição) vamos ter sucesso, dentro dos limites que o arranjo econômico hoje nos permite.
A SBPC e a ABC são entidades importantes, com voz ativa, e que atuam na pressão sobre o Legislativo e sobre o Executivo, colocando em pauta as demandas da CT&I. Entretanto isso não pode ser moeda de troca para ocupação de cargos ou para liberação de recursos para essas instituições. Elas representam nossos melhores pesquisadores e nossa comunidade científica, e devem ser firmes na perseguição do salto tecnológico que nossas academias e indústrias precisam juntas conquistar. Devemos trabalhar em sintonia reforçando nossas ações. Entretanto, precisamos impulsionar os projetos acadêmicos e fazê-los avançar na régua do nivelamento tecnológica com o objetivo de que esses venham a conquistar mercados, pois um artigo científico na gaveta não se iguala ao produto agregando valor e beneficiando a sociedade.
Por fim, alguns irão perder? Sim, com certeza! Para os colegas que trabalham nas atividades meio e de apoio haverá racionalização, por exemplo, no departamento de recursos humanos ou no apoio a serviços como TI. Mas isso corrige e valoriza as atividades finalísticas, onde as políticas e ações são coordenadas. Se você é competente no seu trabalho, não tenha medo, tudo irá prosperar a seu favor. Assim, não tenham receio da junção. Lembre-se que você pode quebrar um graveto, mas uma junção de gravetos... Que venha a valoração do humanware e que juntos possamos aproveitar as novas oportunidades que surgem. Lembre-se que a diferença: somos todos nós!
Sérgio Knorr Velho
Engenheiro Químico e Tecnologista em CT&I
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