domingo, 12 de junho de 2016


LABORATÓRIOS ABERTOS SIBRATECSHOP TRANSFORMA IDEIAS EM PRODUTOS

Os Laboratórios Abertos SibratecShop atuam como facilitadores para atender a demandas tecnológicas de empreendedores, visando transformar ideias e sonhos em negócios, ou seja, prototipa negócios em uma fase ainda pré-aceleração. Uma parceria inédita entre o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE). Digo inédita pois é difícil vermos iniciativas com mais de três organizações parceiras nacionais, pois o “normal” é o lançamento de programas individuais que não conversam ou interagem com iniciativas de outros programas.
            Os Laboratórios Abertos SibratecShop são ambientes repletos de possibilidades, onde pessoas com diferentes perfis e habilidades se encontram para trabalhar de forma colaborativa no desenvolvimento de produtos, processos e negócios. Esses Laboratórios são acessíveis a qualquer pessoa física ou jurídica, disponibilizando equipamentos e facilidades para desenvolver o que imaginar, adotando o conceito “faça você mesmo”, ou seja surfa no movimento MAKER que está se popularizando entre nós.
            São 11 Laboratórios Abertos SibratecShop em dez estados que fazem parte desse projeto piloto: LAMEF/UFRGS - RS, SENAI Maringá – PR, ITA – SP, SENAI Rio de Janeiro – RJ, SENAI – Dourados – MT, SENAI CIT Belo Horizonte – MG, INATEL – MG, SENAI CIMATEC – BA, Porto Digital – PE, SENAI Campina Grande – PB e SENAI Manaus – AM. Parte desses laboratórios realizaram já em 2015, 56 projetos com Micro Empreendedores Individuais (MEI), micro e pequenas empresas que foram fomentados pelos recursos do SEBRAETEC em projetos de prototipagem (Produto Minimamente Viável – MVP) até R$30 mil e que já resultaram em pelo menos três produtos no mercado promovendo a inovação. Um dos protótipos desenvolvidos com sucesso e que resultou em produto é uma ração especial para jacarés que foge do padrão de ração peletizada e busca características específicas até de flutuação e densidade que facilita a alimentação dos caimãs. Esses projetos atraíram ainda financiamentos de outras fontes na quantia de 8,9 vezes o valor investido, mostrando que os projetos apoiados possuem boa viabilidade de mercado, graças à metodologia desenvolvida e o apoio que os empreendedores recebem nos Laboratórios Abertos SibratecShop.
            Em 2016 a necessidade de adequação dos financiamentos por parte do SEBRAETEC por meio de uma contrapartida maior por parte do empreendedor acabou atrasando o apoio aos projetos que já se encontram sendo gestados nos Laboratórios Abertos. Entretanto agora com a definição da participação dos SEBRAE Regionais, os projetos poderão ser financiados e apoiados em valores que podem chegar até R$ 30 mil e as micro e pequenas empresas poderão ser apoiadas até três vezes no mesmo ano.
            Estive em visita ao Laboratório Aberto SibratecShop do SENAI CIT de Belo Horizonte onde além de ser muito bem recebido tive minha crença renovada de que a inovação é o caminho para o desenvolvimento. Encontrei uma equipe motivada, trabalhando em harmonia e liderada para obter resultados, isso é ideias se transformando em produtos e serviços. Os exemplos de empresas que utilizam o espaço – 3DLopes e Mopix Games – são de um sucesso arrebatador, exemplos que atraem os olhos do mundo para o nosso país.
            Eu e meus colegas do MCTI saímos entusiasmados e com certeza contentes que a ideia dos Laboratórios Abertos SibratecShop em uma parceria inédita com o SENAI e com o SEBRAE está dando certo e muito em função das pessoas que vamos encontrando ao longo do caminho e que compram a ideia da inovação – Fábio, Flávio, Marcelo, Márcia, Stella, Carlos, Célio, Jorge, Cristina, Cezar, Anderson, Thomas, Danyela, Guilherme, Alexandre, Vinicius, Marcela, Luiz, Daniel, Ale, Raoni, Thaís e tantos outros que têm no brilho do olhar algo diferente quando falam de seus sonhos e do programa.

            Certamente você ainda não deve ter ouvido muito sobre esse sucesso, pois estamos esperando o pleno funcionamento de todas as unidades para divulgarmos fortemente e deixarmos o Brasil e o mundo saber de uma experiência que já está dando frutos e de muito sucesso.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

PASMEM, MAS SOMOS NÓS A DIFERENÇA!

Brasília, 02 de junho de 2016
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Faço uma análise pessoal sobre a fusão de dois ministérios – Ciência, Tecnologia e Inovação e, Comunicação – assunto que ainda não observei colegas a favor, apenas contra, ou seja, se hay gobierno....
Não vejo nesse governo Temer uma plataforma salvadora da crise econômica, política e ética que vivemos. Esse governo tampão somente parou de surrar o doente moribundo e vai deixá-lo se recuperar por si, pois o país é muito maior que qualquer governo, e rezo para que não que não mude de ideia e, volte a surrar o doente como aumentar a carga tributária. Os políticos brasileiros, em sua grande maioria (sempre é difícil e inconsequente generalizar, me perdoem) tem o “rabo preso” em virtude de um sistema eleitoral e partidário que carece de uma profunda mudança. Esse governo tampão serve a um único propósito - o próximo governo - e a corrida presidencial já se iniciou, todos sonhando em ser o próximo Fernando Henrique, que foi ministro do Itamar no governo tampão após o impeachment do Collor. Observem o Serra, o Meirelles e o próprio Kassab....todos têm esperança na próxima eleição. Esse governo e seus políticos querem preparar o terreno para a próxima eleição e isso significa estar na mídia com uma agenda positiva, parecer que é um bom gestor, sem fazer mudanças realmente profundas que alterem o status quo. Sim, não se enganem, a recuperação econômica será lenta e gradual, pois cirurgias profundas (e necessárias) podem agravar a saúde do moribundo e ninguém quer ser o médico culpado pela morte do paciente.
Muitos concordam comigo que não é possível mais uma Esplanada com trinta e tantos ministérios, fruto dessa miscelânea de partidos capitaneada por seus “donos” que se beneficiam do status quo vigente. Aliás, o próprio Kassab é o “dono” de uma dessas dezenas de siglas. Com certeza a sociedade brasileira não possui tantas posições políticas diferentes. Uma mudança partidária séria reduziria essas dezenas para cerca de 4 a 5 partidos.
Sempre digo que quem pensou Brasília era muito sábio, pois construiu um número limitado (19) de ministérios onde todos os prédios são iguais (carreiras iguais), sendo apenas dois ministérios diferentes – Justiça e Relações Exteriores, por razões óbvias. Assim um downsizing na Esplanada é salutar com uma diminuição dos custos da manutenção da máquina estatal, isso significa menos ministérios e menos cargos comissionados, os famosos DAS. Um serviço público mais eficiente e eficaz é possível (acredite!), por meio de uma boa gestão focada na qualidade com o foco em resultados e com uma estrutura matricial de gestão de projetos. Não precisamos acertar sempre, mas ao detectarmos o erro, corrige-se e volta-se rapidamente a focar nas metas planejadas e nos resultados.
Dizem que a atuação do MCTI é baseada pelo mérito científico e tecnológico e que o MC exerce funções como a concessão de canais de radiodifusão e fiscalização das operadoras de telefonia, que envolvem mais relações políticas e práticas de gestão distintas. Perderíamos o protagonismo e a importância, sendo até “engolidos” pela agenda do MC. Na época do conhecimento e da inovação, onde outros países investem pesado, nos encontramos na contramão reduzindo os investimentos em CT&I. E isso já é um fato, já está ocorrendo há algum tempo e não temos mais o protagonismo anterior, sendo prova disto a frequente troca de ministros, que se apresentam sem propostas, sem competência e sem força política para resgatar o orçamento e os investimentos do início da década.
Pasmem, mas não sou contra a união do MCTI com o MC. Necessitamos sim resgatar o investimento necessário em CT&I, pois esse é o motor de saída da crise e que vai nos guiar a ocupar um lugar de destaque entre as nações do “novo desenvolvimento”. Precisamos de ideias e propostas arrojadas que venham a reindustrializar o país e que nos coloquem no desenvolvimento de tecnologias disruptivas que estejam na borda do conhecimento humano. Assim, é imperativo uma agenda arrojada que pense ações de Estado e não de governo, ou seja, de curto, médio e longo prazo (até de 30 anos).
A força motriz desse protagonismo, pasmem, somos nós, as pessoas que trabalham (e que tem competência - conhecimento, habilidades e atitudes) com CT&I, pois podemos comprar tecnologia, podemos possuir os equipamentos e softwares mais sofisticados, mas a diferença no final são as pessoas, nossos recursos humanos, nosso humanware. Não restrinjo aqui o termo humanware apenas aos servidores de CT&I, mas aos pesquisadores, aos especialistas, aos industriais e a todos que fazem ciência, tecnologia e promovem a inovação.
Aqui destaco a importância dos secretários e diretores, que necessitam fazer o impossível pois o possível já fazemos. Secretários e diretores arrojados com voz ativa e que se movimentem com desenvoltura pelo meio político, acadêmico e industrial são uma das chaves do sucesso, mas esses sem uma equipe motivada e atrelada na perseguição de objetivos claros não irão fazer a diferença que todos desejam. Meu recado a eles é: sejam benvindos e LIDEREM! Liderança é a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores e influenciando de forma positiva mentalidades e comportamentos.
Equilíbrio e equidade são essenciais na discussão da nova estrutura organizacional e para o sucesso dos Secretários e Diretores, pois sempre que a balança pende para um lado, descompensa o outro lado e todos nós perdemos. Temos já um secretário forte e precisamos de um equilíbrio para fortalecermos o novo marco legal e o Sistema Nacional de Inovação. Aqui necessitamos de Sinergia que significa cooperação, e é um termo de origem grega (synergía). Sinergia é um trabalho ou esforço para realizar uma determinada tarefa muito complexa, e poder atingir seu êxito no final. Sinergia é o momento em que o todo é maior que a soma das partes.
Tenho certeza que se entregarmos os resultados prometidos e promovermos uma agenda destacada ao Ministro (que pensa na próxima eleição) vamos ter sucesso, dentro dos limites que o arranjo econômico hoje nos permite.
A SBPC e a ABC são entidades importantes, com voz ativa, e que atuam na pressão sobre o Legislativo e sobre o Executivo, colocando em pauta as demandas da CT&I. Entretanto isso não pode ser moeda de troca para ocupação de cargos ou para liberação de recursos para essas instituições. Elas representam nossos melhores pesquisadores e nossa comunidade científica, e devem ser firmes na perseguição do salto tecnológico que nossas academias e indústrias precisam juntas conquistar. Devemos trabalhar em sintonia reforçando nossas ações. Entretanto, precisamos impulsionar os projetos acadêmicos e fazê-los avançar na régua do nivelamento tecnológica com o objetivo de que esses venham a conquistar mercados, pois um artigo científico na gaveta não se iguala ao produto agregando valor e beneficiando a sociedade.
Por fim, alguns irão perder? Sim, com certeza!  Para os colegas que trabalham nas atividades meio e de apoio haverá racionalização, por exemplo, no departamento de recursos humanos ou no apoio a serviços como TI. Mas isso corrige e valoriza as atividades finalísticas, onde as políticas e ações são coordenadas. Se você é competente no seu trabalho, não tenha medo, tudo irá prosperar a seu favor. Assim, não tenham receio da junção. Lembre-se que você pode quebrar um graveto, mas uma junção de gravetos... Que venha a valoração do humanware e que juntos possamos aproveitar as novas oportunidades que surgem. Lembre-se que a diferença: somos todos nós!


Sérgio Knorr Velho

Engenheiro Químico e Tecnologista em CT&I

domingo, 29 de maio de 2016

A estratégia da China na Indústria do Futuro

Brasília, 29 de maio de 2016.

A China é o maior mercado mundial e apresenta o mais rápido crescimento da robótica industrial. O país foi responsável por quase 27% dos US$ 32 bilhões do mercado de robótica mundial em 2014, ou seja, 57.096 robôs, segundo dados disponíveis de acordo com a Federação Internacional de Robótica (FIR). As vendas de robôs industriais aumentaram 16% na China em 2015, para 66.000 unidades, em comparação com 11% e 9% de crescimento na América do Norte e Europa, respectivamente, de acordo com a FIR. No Brasil foram comercializados somente 1.266 robôs em 2014, ou 13% a menos que o ano anterior, já demonstrando a perversa crise econômica atual.
Em palestra na Escola Superior de Guerra neste mês de maio, o embaixador chinês no Brasil, Li Jinzhang, declarou que a China pretende ocupar seu espaço e não quer perder novamente a corrida da revolução industrial que hoje se instala ao mundo e é conhecida na Alemanha como Industrie 4.0 e nos Estados Unidos, como Advanced Manufacturing e no Brasil, como Manufatura Avançada. O 13º Plano Quinquenal chinês coloca a inovação em uma posição-chave da estratégia de desenvolvimento nacional e reforça constantemente o investimento na área para que até 2020, a proporção de fundos da sociedade destinados à pesquisa e desenvolvimento ascenda a 2,5% do PIB e a taxa de contribuição do progresso científico e tecnológico para o crescimento econômico chegue a 60%. Com o amadurecimento da economia chinesa seus líderes pretendem com o plano Made in China 2025 aumentar o valor do que é fabricado e por isso a inovação e a modernização da indústria chinesa se fazem tão necessárias.
O grupo chinês Midea, fabricante de aparelhos domésticos da linha branca, fez recentemente uma oferta agressiva de US$ 5 bilhões por 30% das ações da empresa Kuka Roboter, produtora alemã de robôs articulados (antropomórficos). A empresa Kuka é um destacado fabricante de robôs multifuncionais e importante elo para as empresas que pretendem modernizar suas indústrias com as últimas funcionalidades de interface homem-máquina e comunicação máquina a máquina (M2M). Entretanto esse movimento das indústrias chinesas não foi o único, pois em janeiro deste ano a empresa ChemChina pagou €925 milhões pela empresa de máquinas-ferramenta alemã Krauss Mafei em parte por seus avanços na Indústria 4.0 e, a China National Chemical Corp. comprou em fevereiro a empresa suíça de química e de sementes Syngenta AG por US$ 43 bilhões.
O sucesso industrial chinês se deu nas últimas décadas graças a produção de massa de baixo custo da mão de obra. Entretanto a China passa por mudanças demográficas onde trabalhadores jovens não se encontram dispostos a condições de trabalho como antes e a indústria necessita, assim de equipamentos automatizados e robôs. As empresas chinesas são encorajadas graças ao seu plano Made in China 2025, para se modernizar e que prioriza o desenvolvimento da indústria inteligente. Já a Alemanha vê no seu programa Industrie 4.0 a manutenção da sua hegemonia industrial por meio da alta agregação de valor aos seus produtos utilizando a automação avançada e o “custom built” necessária em virtude dos seus altos custos da mão de obra.
A China, apartando as devidas proporções e momentos de sua indústria, opera como o Brasil ainda na indústria 2.0 ou seja, a fase do trabalho intensivo, sem ter passado pela fase de automatização (indústria 3.0). A revolução da indústria 4.0 conecta máquinas, insumos e serviços em plataformas que geram volumes de dados que são analisados e explorados não somente para fazer os equipamentos e produtos mais eficientes, mas para coordenar fábricas inteiras e suas cadeias de valor.
Os workshops que estão sendo realizados no Brasil pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), pelo Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MICS), pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI) já demonstram a criticidade das habilidades transversais necessárias para se operar as fábricas do futuro e a ausência de especialistas e de empresas integradoras em número suficiente para modernizar a indústria brasileira. A China através da compra das empresas que lideram esse movimento proporciona um movimento que rapidamente poderá fornecer as habilidades de continuar a ser o motor do mundo.

Por fim, cabe a nós brasileiros, discutirmos uma Estratégia Nacional da Manufatura Avançada que possa nos recolocar nos trilhos do desenvolvimento industrial global e nos colocarmos na liderança regional passando por parcerias bilaterais ou multilaterais com outros países, quem sabe com os EUA, Alemanha, Suécia e, mesmo a China. Necessitamos formar as competências em nossos recursos humanos – especialistas, pesquisadores e trabalhadores – que proporcionarão o salto tecnológico de nossa indústria, pois no final a diferença entre nossas cadeias de valor será a competência de nossa gente.